quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Obras de ampliação do metrô de Belo Horizonte começam em maio de 2018

25/10/2017 - Metro Jornal

Em 1986, os vagões do metrô entraram nos trilhos da história do transporte público de Belo Horizonte. Com a promessa de tornar os deslocamentos mais rápidos, as primeiras viagens partiam da Lagoinha, na região Noroeste da capital, até o Eldorado, em Contagem. Um ano depois, o sistema passou a integrar a Estação Central, no coração da cidade. Dos seus 10,8 km para 28,1 km de extensão em 2002, a mesma configuração permanece até hoje. E a novidade do século XX logo se transformaria em frustração: passados 15 anos, sobraram projetos que não saíram do papel.

Quase duas décadas depois da última inauguração, um deles – a proposta de construção da estação Novo Eldorado, na região metropolitana – finalmente será viabilizada. O anúncio foi feito pelo prefeito de Contagem, Alex de Freitas (PSDB), depois que a União disponibilizou um empréstimo de R$ 157 milhões para a ampliação de 1,5 km até o terminal. A previsão é de que as obras sejam iniciadas em maio do próximo ano, com conclusão até o fim de 2019.

“Vamos anunciar a ampliação de mais uma estação. A primeira de duas que esperamos tirar do papel. O metrô beneficia os mais carentes. Transporte limpo, confortável e rápido. Chegar até nosso principal centro comercial é um avanço histórico”, comemorou o chefe do Executivo. E a intervenção abre caminho para mais uma meta, a de levar os trilhos até o bairro Bernardo Monteiro, ao custo de R$ 550 milhões e mais 2,5 km de linha.

“Que notícia boa”, declarou a estudante Rafaella Ruiz, 22 anos, ao saber da melhoria através da reportagem. A jovem, que mora no Novo Eldorado, usava diariamente o metrô para voltar da faculdade. “Como consegui um estágio, não compensava mais usar o sistema por conta da rota”, apontando uma das deficiências da linha, restrita a algumas regiões. Até chegar à Estação Eldorado, ela leva pelo menos 25 minutos. “Pegava um ônibus até lá, descia na Lagoinha e usava o Move até a UFMG”, disse. O maior tempo de deslocamento era gasto nas baldeações que levavam até os terminais. “Já é uma melhora, vai beneficiar muita gente do bairro”, comentou sobre a obra.

“Falta vontade política”

Para o consultor em transporte e trânsito Osias Baptista Neto, o grande problema da Grande BH é o metrô ser gerido pelo governo federal. “O Estado e os municípios, através de um consórcio, deveriam ter assumido o gerenciamento desde 1995. As pressões e as necessidades de Brasília não estão focadas aqui”, argumentou. Conforme o especialista, a alternativa que restou para BH foi investir no Move. “Fez o BRT por cima de onde passaria o metrô. Se esperasse por ele, até hoje não teria nada”.

Outra característica que diz muito sobre o sistema nas duas cidades é o trilho na superfície. “Ele só é subterrâneo onde não tem espaço por conta dos prédios, das ruas. Nesses locais está a demanda. Quando vai por cima, os lugares têm densidade urbana menor e, consequentemente, menos passageiros. É lógico”.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Metrô deve ganhar mais uma estação em Contagem, diz prefeito

24/08/2017 - Estado de Minas

Alex de Freitas disse que o município vai assumir os custos e contratar um empréstimo com o governo federal para ampliar o serviço

Juliana Cipriani 

Edesio Ferreira/EM/D.A Press
O projeto é para construir a estação Novo Eldorado (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)


O prefeito de Contagem, Alex de Freitas, afirmou nesta quinta-feira que a cidade está prestes a fechar acordo com o governo federal para viabilizar a ampliação do metrô na cidade. Segundo ele, o município se propôs a assumir o financiamento das obras e pretende anunciar nos próximos 45 ou 60 dias o projeto de uma nova estação, a Novo Eldorado. 

A cidade busca, dentro do programa Avança Cidades – Mobilidade, do governo federal, um empréstimo de R$ 157 milhões, com quatro anos de carência e 20 anos para pagamento. “Contagem assumirá o financiamento para que conclua mais uma estação do metrô em Contagem e estamos abrindo outras frentes de financiamento para estudar o avanço até Bernardo Monteiro e Boa vista”, disse. 

Alex de Freitas disse ter conseguido uma sinalização do presidente Michel Temer (PMDB) no fim do ano e que se encontrou pelo menos cinco vezes com o ministro das Cidades Bruno Araújo sobre a ampliação do metrô. Segundo Freitas, havia um projeto associado à Metrominas, sobre o qual foram feitas as tratativas com o governo federal.

domingo, 11 de junho de 2017

Contagem quer ampliar metrô

28/03/17 - O Tempo

Prefeito busca recursos para expandir Linha 1 e construir três novas estações em bairros da cidade

metrô
Ampliação do metrô em Contagem prevê um investimento total de R$ 233 milhões

JOÃO RENATO FARIA

Diante da estagnação da expansão da Linha 1 do metrô de Belo Horizonte, o prefeito de Contagem, na região metropolitana, Alex de Freitas (PSDB), afirmou que irá pleitear, junto ao governo federal, recursos para ampliar o serviço de transporte em seu município. Para isso, ele já conversou com os três senadores do Estado e está em contato com deputados federais da bancada mineira para buscar meios de sensibilizar o governo Temer para a necessidade da expansão do serviço.

“Temos que parar de discutir a estadualização do metrô. Tem dez anos que estamos nesse debate, e, nesse ínterim, não houve nenhuma expansão. Precisamos entender que o problema é de mobilidade e dar uma alternativa de massa, segura e confiável para a população da Grande Belo Horizonte”, afirmou Freitas.

O projeto de expansão tem duas partes. A primeira prevê levar o metrô da Estação Eldorado até o bairro Novo Eldorado, onde ele seria integrado a uma rodoviária e a um terminal de ônibus urbanos. Esse conjunto é chamado de Complexo Intermodal de Transporte de Contagem, com capacidade para atender cerca de 150 mil pessoas por dia. “Essa estrutura é uma discussão antiga, que poderia atender uma demanda do Vetor Oeste de Belo Horizonte e tirar parte do tráfego do centro da capital”, avaliou o prefeito.

O valor total deste investimento é de cerca de R$ 233 milhões, sendo R$ 157,6 milhões para a expansão do metrô até o Novo Eldorado, onde já existe um pátio para a manobra dos trens, e R$ 75,3 milhões para as outras estruturas.

Crescimento. O objetivo do prefeito, porém, é mais ousado e prevê, além do complexo intermodal e da estação do Novo Eldorado, outros dois novos terminais de metrô, nos bairros Parque São João e Bernardo Monteiro. O custo estimado é de cerca de R$ 700 milhões, aproximadamente R$ 100 milhões por quilômetro. Segundo o prefeito, o município de Contagem está disposto a arcar com um terço do valor.

“Não temos esse dinheiro em caixa, mas temos a capacidade de assumir esse financiamento. A contrapartida da licitação do transporte coletivo da cidade, por exemplo, poderia ser aplicada integralmente na expansão do metrô”, afirmou.

Para dar mais um passo rumo à concretização da obra, Alex de Freitas apresentará o projeto na reunião desta terça-feira (28) da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel). “Precisamos dar uma resposta mais rápida para as milhares de pessoas que se espremem em um ônibus ou no metrô que nós temos hoje”, finalizou.

CBTU. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que administra o metrô de BH, foi procurada na tarde dessa segunda-feira (27) para comentar o projeto, mas não retornou até o fechamento desta edição.

Projeto. Segundo a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), o projeto da expansão até o Novo Eldorado já foi concluído e aprovado pela Metrominas, empresa criada para a futura gestão do metrô e que tem as prefeituras de Contagem e Belo Horizonte e o governo estadual como sócios.

Expansão. Já as duas novas estações de Contagem, nos bairros Parque São João e Bernardo Monteiro, seriam parte da Linha 4, que sairia do Novo Eldorado e iria até o centro de Betim, na região metropolitana.

Trecho. Segundo a Setop, a Linha 4 teria 22 km, sendo que 17 km seriam criados no sistema de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT).

Gestão. Apesar da criação da Metrominas, a gestão do metrô de BH continua a cargo da estatal CBTU. A transferência da administração do serviço continua em discussão.

Novo Eldorado. O projeto prevê a revitalização urbana e a readequação do sistema viário, com reforma em uma alça de acesso e implantação de um viaduto para ligar a avenida Helena de Vasconcelos Costa à Via Expressa.

VIA EXPRESSA

Promessa é recapear corredor até maio

Os 15 km da Via Expressa que estão em Contagem, na região metropolitana, entre Belo Horizonte e Betim, deverão estar totalmente recapeados até o início de maio. A previsão é do prefeito de Contagem, Alex de Freitas, que assinará nesta terça-feira (28) a ordem de serviço autorizando o início da reforma.

“A expectativa é que, no máximo até segunda-feira, a obra já comece. É uma intervenção rápida e simples, e queremos concluí-la em um mês e meio”, afirmou. Segundo ele, a intervenção será feita durante a noite, para que não atrapalhe o trânsito na via. “Vamos recompor todo o pavimento. Onde a base estiver ruim, será refeita, e vamos fazer a raspagem do asfalto velho para substituição por um novo, para deixar a pista mais segura e confortável”, detalhou.

O custo total é de R$ 16,5 milhões, sendo R$ 15 milhões de recursos do Estado e R$ 1,5 milhão da prefeitura.

Radares. Alex de Freitas também afirmou que os 25 radares que estão atualmente desativados em ruas do município deverão voltar a funcionar na primeira semana de abril. “Eles foram todos substituídos e nesse momento estão passando por testes, sendo aferidos, para que sejam autorizados a multar”, contou.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Articulação busca acelerar expansão do metrô em Contagem

13/04/2017 - Hoje em Dia

As negociações para ampliação da linha do metrô em Contagem, com a possibilidade de construção de três novas estações, chegaram a Brasília. A última movimentação foi uma reunião entre o deputado estadual João Vítor Xavier (PSDB) e o ministro das Cidades, Bruno Araújo, a partir de articulações do prefeito de Contagem, Alex de Freitas (PSDB). 

De acordo com o deputado, o ministro ficou interessado na proposta e se prontificou a conhecer a cidade nos próximos meses e também detalhes do projeto. 

Um diferencial seria a proposta do município de arcar com parte dos investimentos. A prefeitura se dispõe a custear um terço dos cerca de R$ 700 milhões necessários para a extensão da linha em sete quilômetros, com três novas estações entre o Eldorado e Bernardo Monteiro. 

“Conversamos sobre a totalidade do projeto e não somente sobre a abertura de uma nova estação. É um projeto factível. Não é algo comum um prefeito se dispor a investir nesse tipo de iniciativa”, afirma. 

Ainda de acordo com João Vítor, será preciso que a União autorize o investimento da prefeitura no projeto. “E claro, que o governo federal também se comprometa a aportar recursos”, completa. 

Num primeiro momento, o município se propõe a construir pelo menos dois quilômetros de linha, ao custo de aproximadamente R$ 230 milhões, com a abertura de estação no Novo Eldorado.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Projeto que amplia funcionamento do metrô é aprovado na Câmara de BH

16/12/2016 - Portal Cidades

O metrô de Belo Horizonte poderá funcionar até mais tarde no próximo ano. Nessa quarta-feira (14), o plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou o Projeto de Lei (PL) 965/14, que propõe a ampliação do horário das estações até a meia-noite. A expectativa é que a medida seja apreciada pela Prefeitura de Belo Horizonte em fevereiro.

Apresentada em 2014 pelo vereador Joel Moreira Filho (PDMB), a proposta tramitou na Câmara por dois anos até a aprovação final no plenário. A ampliação do funcionamento até a meia-noite busca atender os trabalhadores e estudantes do período noturno e desafogar os ônibus da capital, escreveu Filho na justificativa da proposta.

Atualmente, o metrô de Belo Horizonte funciona das 5h15 às 23h.

A medida segue agora para redação final na Comissão de Legislação e Justiça e, em seguida, os parlamentares terão cinco dias para apresentarem emendas ao texto final. A expectativa é que o projeto chegue na mesa do prefeito para sanção ou veto em fevereiro do próximo ano.

A reportagem de O TEMPO entrou em contato com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), mas ninguém foi encontrado para comentar a proposta.

Metrô de BH não teve ampliação desde 2011, aponta pesquisa

Em comparação a outras seis cidades do país, o metrô de Belo Horizonte que não teve crescimento em extensão e em estações desde 2011, aponta pesquisa da Confederação Nacional de Transporte (CNT) divulgada na última segunda-feira (12). Ao todo, 14 municípios foram analisados.

De acordo com o levantamento, outros locais que implantaram os metrôs ultrapassaram a capital mineira em oferta de transporte sobre trilhos. Em Fortaleza (CE), por exemplo, uma linha com 43,6 quilômetros de extensão foi inaugurada em 2012. O metrô de Belo Horizonte, por sua vez, possui 28,1 km.

A única melhoria no metrô da capital foi o aumento no número de vagões, que saltou de 96 para 136.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Metrô de BH é o único que não teve ampliação desde 2011

13/12/2016 - O Tempo

Não houve novas estações nem aumento da malha, diferentemente de outras seis cidades do país

metrô

Movimento. No ano passado, o metrô transportou 61,1 milhões de passageiros, menos do que em 2014

JOÃO RENATO FARIA

O metrô de Belo Horizonte, com 28,1 km, foi o único que não teve crescimento em extensão e em estações desde 2011 se comparado a outras seis cidades do país, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgada nessa segunda-feira (12) (veja abaixo).

A capital mineira ficou parada no tempo, enquanto outros locais, que iniciaram depois a implantação de seus metrôs, ultrapassavam BH em oferta de transporte sobre trilhos, como Fortaleza (CE). São 43,6 km de extensão de metrô, inaugurado em 2012, mais VLT. Ao todo, 14 cidades foram analisadas.

A única melhoria no modal de BH, segundo a pesquisa, foi o aumento no número de vagões, que passou de 96 para 136. “Houve um acréscimo de 40 carros, o que é alto, mas não é suficiente para uma região metropolitana do porte de Belo Horizonte, o que mostra que existe uma deficiência no planejamento das ações”, afirmou o diretor-executivo da CNT, Bruno Batista.

Também não há perspectiva de execução dos projetos das linhas 2 (Calafate/Barreiro) e 3 (Lagoinha/Savassi). Além disso, a combinação entre crise econômica, saturação de passageiros e tarifa deficitária (R$ 1,80) pode provocar um colapso no sistema da capital mineira.

“Sem investimentos, o metrô acaba ficando muito cheio e, como consequência, repele os passageiros, que passam a buscar alternativas como o carro. Além de uma queda na arrecadação, existe um aumento no trânsito da cidade”, analisou Batista.

Segundo o levantamento da CNT, apesar de registrar um aumento de passageiros de 6,5% de 2012 a 2015, houve uma queda no número de pessoas transportadas, de 64,4 milhões em 2014 para 61,1 milhões em 2015. “Os trens são antigos, pesados, desconfortáveis e estão ficando abarrotados no horário de pico. O sistema está, hoje, perto do seu máximo”, afirmou o coordenador do departamento de Transportes da universidade Fumec, Márcio Aguiar.

Solução. Conforme a CNT, o melhor meio de resolver a estagnação do metrô de Belo Horizonte é cedendo o sistema para a iniciativa privada. “Defendemos que o governo facilite a entrada de investidores privados nos sistemas”, disse Batista.

O especialista Márcio Aguiar concorda. “O governo federal não tem como investir. O governo estadual, muito menos. Se não mudar o modelo, não vamos avançar nada”, afirmou. Ele avalia que as soluções encontradas por São Paulo e Rio de Janeiro poderiam ser adaptadas para a capital mineira. “No Rio, o metrô avançou depois das Parcerias Público-Privadas (PPP). Em São Paulo, a linha amarela foi construída e é operada pela iniciativa privada”, exemplificou. O metrô de BH tem 30 anos.

Silêncio. Procurada pela reportagem na tarde dessa segunda-feira (12), a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) não havia se posicionado sobre a pesquisa até o fechamento desta edição.

EXPANSÃO

Capital precisaria de 199,5 km de linhas ferroviárias

Para atender o aumento da demanda e o crescimento da população, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que o sistema tenha que saltar dos atuais 28,1 km para 199,5 km, um aumento de mais de 600% na extensão.

Esse levantamento, que não fez parte da pesquisa e foi feito em 2014, inclui metrô e trem metropolitano. Para sair do papel, essa intervenção custaria, ainda segundo a CNT, cerca de R$ 46,12 bilhões. “Belo Horizonte possui uma região metropolitana extensa, populosa e de economia forte. Precisa de uma atenção maior dos gestores para que o sistema volte a ter investimentos”, afirmou o diretor-executivo da CNT, Bruno Batista.

O problema, na opinião do coordenador do departamento de Transportes da universidade Fumec, Márcio Aguiar, é justamente esse recurso chegar ao metrô. “Em 2013, houve uma promessa de R$ 2 bilhões, que nunca chegaram. Infelizmente, Minas Gerais vai, mais uma vez, ficar para trás na história”, criticou.

ENTENDA A DIFERENÇA

Metrô x trem. A diferença entre eles não está relacionada ao trânsito em superfície ou por trecho subterrâneo. Segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), para ser chamado de metrô, o sistema deve ter uma distância média entre as estações de 700 m a 1.200 m, além de um intervalo médio entre veículos no horário de pico de 90 segundos a 180 segundos.

Trens. Podem ter distância média de 1.500 m a 2.500 m entre as estações, além de intervalo no horário de pico que varia entre 120 segundos a 300 segundos.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Metrô de BH faz aniversário sem perspectivas de ampliação

02/08/2016 - Em.com.br

Enquanto isso, sistemas como o do Rio de janeiro se expandem. Pior: orçamento para este ano é um terço do ideal

Valquiria Lopes

Rodrigo Clemente/EM/DA Press
Rodrigo Clemente/EM/DA Press
Passageiros em plataforma de estação de BH: expansão é presente aguardado há 30 anos por usuários (foto: Rodrigo Clemente/EM/DA Press)

Um aniversário com pouco a comemorar e um presente esperado há 30 anos que continua sem data para chegar. O metrô de Belo Horizonte completou ontem três décadas de uma história inacabada, sem previsão de término ou de expansão, que nunca levou o trem de superfície da capital além dos atuais 28,1 quilômetros de extensão. Ao contrário, o sistema “comemora” a data em meio a um assombroso corte orçamentário. Enquanto precisaria de R$ 121 milhões para cobrir todo o custeio e manutenção em 2016, apenas R$ 86 milhões foram previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA), dos quais apenas R$ 47,3 milhões foram aprovados pela União. A nova planilha equivale a pouco mais de um terço do valor ideal e gera um déficit orçamentário que pode chegar a R$ 73 milhões até o fim do ano. O arrocho financeiro se soma a outros problemas: os cerca de 220 mil passageiros transportados diariamente convivem com uma rotina de superlotação e panes. Reclamam da segurança e do histórico plano de ampliação que não se concretiza.

Confira a reportagem especial Metrô Imaginário

Enquanto a verba não chega para Minas, outros sistemas já até mais avançados concluem obras para estender a estrutura existente. Em cerimônia no sábado, na Estação Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, o presidente Michel Temer inaugurou oficialmente a Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro, que liga o bairro da Zona Oeste a Ipanema, na Zona Sul. São cinco estações: Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alah, Antero de Quental, São Conrado e Jardim Oceânico. A expectativa é que até o fim do ano a nova linha, que começou a ser construída em 2010 e já custou R$ 9,7 bilhões (R$ 8,5 bilhões em recursos públicos), entre em operação plena e transporte cerca de 300 mil pessoas por dia. Com isso, o novo ramal vai levar, sozinho, 36% mais passageiros que todo o sistema da capital mineira.

Em BH, com três projetos de expansão elaborados e um em fase final – para mais 37,4 quilômetros de malha ferroviária –, as obras esbarram no velho impasse. “Não há orçamento”, afirma o superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Belo Horizonte, Miguel Marques, sentado em sua sala na sede da empresa em BH, no Bairro Floresta, de onde se vê e ouve o metrô passar. Mesmo assim, o advogado mineiro de 37 anos – que não usa o serviço no dia a dia e está à frente da companhia desde novembro de 2015 – faz um balanço positivo das três décadas de operação. “É um transporte público social. Tem uma tarifa que leva do Eldorado (Contagem) a Vilarinho por R$ 1,80, sem aumento desde 2006. Já tivemos várias evoluções. A última, em 2012, foi a aquisição de 10 trens. Enquanto os antigos comportam 1.026 pessoas, os novos transportam 1.300, têm ar-condicionado e são projetados com televisão. Acredito que esse foi o último grande avanço, um investimento de R$ 171 milhões”, afirmou o superintendente, ex-diretor da Metrominas, órgão do governo estadual que deve assumir a gestão do metrô de BH.

Sobre a tão sonhada implantação das novas linhas, o superintendente é otimista. “Chegamos com um pé na frente para a realização das obras”, avalia Miguel, ao explicar que os projetos para modernização da linha 1 e implantação das linhas 2 e 3 estão em fase final de elaboração e aguardando previsão orçamentária. O problema é que, se seguir pelos mesmos trilhos das últimas décadas, as obras orçadas entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões estão longe de ser executadas.

Desde a implantação do metrô, em 1986, o sistema recebeu cerca de US$ 870 milhões, suficientes apenas para que 17,3 quilômetros fossem acrescentados ao trecho da Linha 1, que dos 10,8 quilômetros entre o Eldorado e a Lagoinha passou para 28,1, chegando a Vilarinho, em Venda Nova. A título de comparação, enquanto São Paulo transporta em cinco linhas, distribuídas por 68 quilômetros, cerca de 4,7 milhões de passageiros em 24 horas, Belo Horizonte precisa de mais de 20 dias para transportar o mesmo volume.

GESTÃO É ENTRAVE Diferentemente dos sistemas do Rio e de São Paulo, o metrô de BH é administrado e operado pela CBTU, órgão federal com sede no Rio, vinculado ao Ministério das Cidades, que também administra os sistemas de João Pessoa, Recife, Maceió e Natal. Atualmente, o governo de Minas Gerais aguarda análise da proposta apresentada em março ao Ministério das Cidades para que o estado assuma o sistema. Assim, toda obra de expansão ficaria a cargo da Metrominas, que dispõe de previsão de R$ 36,3 milhões em verba federal para projetos. Segundo o ministério, o total necessário para elaboração dos projetos de todas as linhas é de R$ 47,3 milhões e o saldo remanescente será liberado à medida em que forem apresentadas comprovações de gastos.

A estadualização é apontada por especialistas como uma esperança de ampliação para o metrô. “Nos últimos anos, a CBTU esteve na alçada de um partido que a usou apenas para distribuição de cargos e outras questões de origem política. No meu entendimento, esse setor somente se desenvolverá se for estadualizado, dentro de um modelo adequado e transparente de desenvolvimento, em parceria com o setor privado”, afirma o professor.

Nos trilhos da história

Os 30 anos de operação comercial do metrô foram lembrados na edição de domingo do Estado de Minas, que publicou reportagem especial contrapondo o metrô que BH tem àquele que a capital merece. Com o tema #metroimaginario, foi criado um mapa de desejos para o transporte metroviário de BH, a partir de sugestões enviadas por leitores por meio de redes sociais. A malha imaginária tem 144 quilômetros e atende também Betim, Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Nova Lima, além de diversos outros pontos da capital e o aeroporto de Confins. A reportagem mostrou os desafios orçamentários e a falta de vontade política para ampliação do sistema, além do sufoco que passageiros do trem de superfície de BH enfrentam diariamente.